A façanha de Shakira não está apenas em ter conseguido arrebatar plateias internacionais, algo que sempre planejou. Ela ajudou a alterar os rumos do pop mundial, harmonizando sons de diferentes origens, muitos até então impensáveis para o gosto desse público.
Shakira Isabel Mebarak Ripoll já nasceu internacional. Natural de Barranquilla, Colômbia, ela é descendente de italianos, libaneses, americanos e catalães. Em pouco mais de 20 anos de carreira, seu raro apelo global a ajudou a se tornar uma estrela mundial. Em seu currículo constam mais de 200 prêmios, 50 milhões de discos vendidos e um dos singles de maior sucesso do século XXI, “Hips don’t lie” (“Quadris não mentem”), de 2006, que chegou ao topo das paradas em 55 países.
Agora, aos 34 anos, está no ápice de seu talento. Não é só por causa de sua voz forte de mezzo-soprano e do movimento franco e sensual de quadris – várias brasileiras têm essas virtudes. Com esses atributos, a cantora mais popular do Brasil, Ivete Sangalo, até tentou se lançar mundialmente no show no Madison Square Garden, em Nova York, no ano passado. O jornal The New York Times chamou seu espetáculo de “brasileiro demais”. Shakira conseguiu se destacar de artistas brasileiras, argentinas, peruanas etc. porque percebeu que teria de gravar em inglês para os americanos, ao menos no começo de sua transição para esse mercado, com um repertório que os surpreendesse. A poção inovadora de seu sucesso – que poderia servir como lição para as estrelas brasileiras – é composta de três ingredientes: capacidade de adaptação, oportunismo e curiosidade sonora.
PROFISSIONAL
Shakira em Buenos Aires, onde cantou para 40 mil pessoas. Ela dormiu apenas uma hora na noite anterior, mas isso não afetou o show
Shakira em Buenos Aires, onde cantou para 40 mil pessoas. Ela dormiu apenas uma hora na noite anterior, mas isso não afetou o show
Em 1998, Shakira decidiu se mudar para Miami para realizar o mesmo ataque, agora contra o território americano. Em três anos, aprendeu a falar e a escrever em inglês, lançou o sucesso “Whenever, wherever”em parceria com a estrela cubana Gloria Estefan e gravou o CD MTV Unplugged. Em 2002, seu CD Laudry service tornou-se sucesso mundial, com 20 milhões de cópias vendidas. Em 2005, com dois álbuns, um em espanhol e o outro em inglês – Fijación oral vol. 1 e Oral fixation vol. 2 –, ela já havia dominado o continente inteiro.
Seu senso de oportunidade contou. Até chegar ao sucesso, ela tirou da frente todo tipo de obstáculo, de namorados a contratos desvantajosos. Começou por ganhar as graças do escritor colombiano Gabriel García Márquez, que a entrevistou em 1999. Em 2001, envolveu-se com o empresário Antonio de la Rúa, filho do então presidente argentino, Fernando de la Rúa, e começou a lançar produtos. Aliou influência política, marketing e humanitarismo. Criou a fundação Pés Descalços, para desenvolver projetos educacionais na Colômbia. Logo se envolveu com a Unicef em ações mundiais contra a fome e o analfabetismo.
Shakira também é conhecida como mulher de negócios responsável. “Ela é superprofissional”, diz Grecco Buratto, guitarrista brasileiro que a acompanha. “Em Buenos Aires, dormiu só uma hora na noite anterior, mas na hora do show estava lá, pronta.” E brilhou diante de um público de 40 mil. Em 2008, Shakira designou seu irmão, Aito, que morava na Espanha, para consolidar sua imagem e desenvolver seus negócios na Europa. Em meados de 2010, usou a Espanha para lançar o perfume que leva seu nome. Hoje, seu capital é multimilionário. Só com sua última turnê arrecadou US$ 100 milhões.
Nenhum comentário:
Postar um comentário